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  • 8/20/2019 Aula Ismail Xavier

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    CINEMA:

    REVELAÇÃO E ENGANO ISMAIL XAVIER. O OLHAR E A CENA.

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    CINEMA

    LUGAR DE ACESSO A UMA VERDADE POR OUTROS MEIOS

    INATINGÍVEL;

    LUGAR DE ENGANO QUE NÃO É RESULTADO DE  ACIDENTE, MAS DE ESTRATÉGIA;

     BINÔMIO REVELAÇÃO-ENGANO: COMEÇO DO SÉCULO XX E ANOS 70/80.

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    CINEMA COMO VERDADE

    QUESTÃO INICIAL QUE ISMAIL XAVIER SE COLOCA:  PORQUE UMA FOTOGRAFIA ESTÁ IMBUÍDA DA NOÇÃO DE VERDADE (NÃO APENAS ELA COMO UM TODO MAS CADA

     PEDAÇO DELA);

     A IMAGEM FOTOGRÁFICA E CINEMATOGRÁFICA GANHA  AUTENTICIDADE PORQUE RESPONDE A UM REGISTRO  AUTOMÁTICO.

    VERDADE COMO SINÔNIMO DE AUTENTICIDADE: ESTÁ EM QUESTÃO SEU USO POLÍTICO INTERESSADO, E NÃO A EXISTÊNCIA DAS FIGURAS DADAS A OLHAR (O ÍNDEX).

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    CINEMA: REVELAÇÃO E ENGANO

    NO CINEMA, É MAIS COMPLICADO DO QUE NA FOTOGRAFIA, POIS A MONTAGEM CRIA SENTIDO;

    COM A MONTAGEM, O CINEMA ADQUIRE UMA LIBERDADE ENORME PARA EXERCER LIGAÇÕES E CONTEXTUALIZAÇÕES;

    EXPERIMENTO DE KULECHOV;

    IDÉIA DE QUE CADA IMAGEM PODE SER INOCULADA DE QUASE QUALQUER SENTIDO É FONTE DE DESCONFORTO.

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    CINEMA: REVELAÇÃO E ENGANO

    O ESPECTADOR ACEITA E ACHA BEM-VINDO O JOGO DE FAZ-DE-CONTA CRIADO PELO DIRETOR;

    O ESSENCIAL É QUE A IMAGEM SEJA CONVINCENTE  DENTRO DOS PROPÓSITOS (DOCUMENTAIS E FICCIONAIS)  DO FILME;

    É PRECISO COMPETÊNCIA PARA ILUDIR, É PRECISO SE

     ANTECIPAR EM RELAÇÃO AOS CÓDIGOS DO OBSERVADOR. A LEITURA DAS IMAGENS NÃO É IMEDIATA. O ESPECTADOR PARTICIPA DO JOGO.

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    CINEMA: REVELAÇÃO E ENGANO

     A PRODUÇÃO E A RECEPÇÃO ESTÃO SEPARADOS NO TEMPO E NO ESPAÇO;

    O ESPECTADOR CONTEMPLA A IMAGEM SEM TER  PARTICIPADO DE SUA PRODUÇÃO - SEM RISCO E SEM  PODER;

    ELE NÃO PODE ESCOLHER UM PONTO DE VISTA PARA

    OBSERVAR O MUNDO;

    HÁ PRIVILÉGIOS, MAS O PRIVILÉGIO DA ESCOLHA É ROUBADO.

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    CINEMA: REVELAÇÃO E ENGANO

    O ESPECTADOR ACEITA E VALORIZA O OLHAR MEDIADOR  DO CINEMA POIS ELE TEM A OFERECER ALGO PRODIGIOSO  ADVINDO DE SUA LIBERDADE AO INVADIR A INTIMIDADE  SEM RICOS.

    MONTAGEM CONTÍNUA: ACOMPANHO A EVOLUÇÃO DE UM MOVIMENTO;

    MONTAGEM QUE INTERVÉM: VEJO DIFERENTES ÂNGULOS

     PONTOS DE VISTA;

    HÁ O MOVIMENTO DO MUNDO E O MOVIMENTO DA CÂMERA QUE OBSERVA.

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    CINEMA: REVELAÇÃO E ENGANO

    “O USUFRUTO DESSE OLHAR PRIVILEGIADO, NÃO SUA

     ANÁLISE, É ALGO QUE O CINEMA TEM NOS GARANTIDO,  PROPICIANDO ESSA CONDIÇÃO PRAZEROSA DE VER O MUNDO E ESTAR A SALVO, OCUPAR O CENTRO SEM  ASSUMIR ENCARGOS”.

    O OLHAR DO CINEMA É UM OLHAR SEM CORPO, E PORISSO MESMO UBÍQUO, ONIVIDENTE.

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    PRIMEIRO ELOGIO ÀS POTÊNCIAS DO OLHAR CINEMATOGRÁFICO

     ANOS 10-20;

    COROAMENTO DE UM PROJETO JÁ DEFINIDO NA ESFERA  DA REPRESENTAÇÃO;

    INAUGURAÇÃO DE UM UNIVERSO DE EXPRESSÃO SEM  PRECEDENTES;

    CINEMA COMO PARTE DA TRADIÇÃO DO ESPETÁCULO

     DRAMÁTICO POPULAR;

    ELE PODE, NO ENTANTO, IR MAIS LONGE NO QUE SE REFERE Á REPRESENTAÇÃO

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    PRIMEIRO ELOGIO ÀS POTÊNCIAS DO OLHAR CINEMATOGRÁFICO

    O “TORNAR VISÍVEL” DO CINEMA OTIMIZA O EFEITO DA FICÇÃO; TRÁS PARA A PRODUÇÃO INDUSTRIAL A TRADIÇÃO DO TEATRO.

    CÂMERA FOTOGRÁFICA JÁ ERA OBJETIVAÇÃO TECNOLÓGICA DE PRINCÍPIOS DE REPRESENTAÇÃO DO RENASCIMENTO;

    HERANÇA DA CONCEPÇÃO DO OLHAR BURGUÊSA:  DIDEROT: TEATRO COMO REPRODUÇÃO INTEGRAL DAS  APARÊNCIAS DO MUNDO.

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    ILUSIONISMO

    ILUSIONISMO COMO FONTE PRIVILEGIADA DE ENVOLVIMENTO COM A PLATÉIA.;

    GÊNERO: MELODRAMA;

    “APANÁGIO DO EXAGERO E DO EXCESSO, O MELODRAMA É UM GÊNERO AFIM ÀS GRANDES REVELAÇÕES, ÀS

    ENCENAÇÕES DO ACESSO A UMA VERDADE QUE SE DESVENDA APÓS UM SEM-NÚMERO DE MISTÉRIOS, EQUÍVOCOS, PISTAS FALSAS, VILANIA”.

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    ILUSIONISMO

    O ILUSIONISMO, A REPRODUÇÃO DAS APARÊNCIAS, ESTÁ RELACIONADO AO ILUMINISMO;

    O OLHAR MELODRAMÁTICO É O PONTO-LIMITE DE UM  PROJETO DE EXPRESSÃO TOTAL DA NATUREZA NA REPRESENTAÇÃO;

    REFLETE UM IDEAL DE DOMÍNIO E CONTROLE DA APARÊNCIA COMO SINAL DE “CONHECIMENTO DA NATUREZA”.

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    ILUSIONISMO

    CLOSE-UP: EMBLEMA DAS VIRTUDES DA NOVA ARTE;

    MOVIMENTO EM DIREÇÃO À INTIMIDADE;

    FOCO DAS ATENÇÕES TAMBÉM DAQUELES QUE, NOS  ANOS 20, CRITICAM OS FILMES POR SEREM MUITO  DOMESTICADOS PELA TRADIÇÃO ILUSIONISTA TEATRAL;

    ENCONTRAMOS ENTÃO AQUELES QUE VÊEM O CINEMA ENQUANTO RUPTURA.

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    CINEMA COMO RUPTURA

    CINEMA COMO NOVO DIÁLOGO ENTRE HOMEM E NATUREZA;

    EXPERIÊNCIAS DE VANGUARDA: LIBERTAÇÃO DO OLHAR  SEM CORPO DAS AMARRAS DA CONTINUIDADE NARRATIVA;

    CINEMA DEVE SER USADO COMO FORMA DE ROMPER COM A TRADIÇÃO DO MELODRAMA AO INVÉS DE SER  ADAPTADO A ESTA.

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    CINEMA COMO RUPTURA

    VANGUARDA APOSTA NO PODER ANALÍTICO DO REGISTRO CINEMATOGRÁFICO: CLOSE-UP, ALTERAÇÕES  DE VELOCIDADE, VIDA SECRETA QUE EXISTE A NOSSA VOLTA E QUE NÃO VEMOS COM NOSSOS OLHOS HUMANOS.

    HÁ A CRENÇA NO PODER DO CINEMA DE TRAZER A VERDADE À TONA; NÃO É NO ENTANTO A VERDADE DO ILUSIONISMO, MAS A VERDADE DA TÉCNICA.

    WALTER BENJAMIN: CONFIANÇA NESSA TÉCNICA MAS  PENSAMENTO MAIS SENSÍVEL ÀS CONTRADIÇÕES  SOCIAIS.

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    CINEMA: REVELAÇÃO E ENGANO

    NO ELOGIO DE SEU ASPCETO REVELADOR, O  PENSAMENTO DOS ANOS 20 COLOCOU O DEBATE NOS TERMOS DE VERDADE (CINEMA) E MENTIRA (TRADIÇÃO

    CULTURAL).

    ENTRE OS ANOS 20 E 60 O CONFLITO DOMINANTE/  DOMINADO, TRADUZIDO EM TERMOS DE VERDADE/ MENTIRA, REFEZ-SE AO LONGO DE VÁRIOS EIXOS.

     PÓS-68: REFLEXÃO ABANDONA A TRADIÇÃO DE OPOR VERDADE E MENTIRA E PASSA A DISCUTIR A TÉCNICA DO CINEMA.

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    PÓS-68

    CRÍTICA AVANÇA NA CARACTERIZAÇÃO DO CINEMA CLÁSSICO;

     DESENVOLVIMENTO DO OLHAR MELODRAMÁTICO EM  DIREÇÃO AO CINEMA CLÁSSICO: ABANDONO DOS EXCESSOS, MAIOR SUTILEZA, PROFUNDIDADE  DRAMÁTICA, AMPLITUDE TEMÁTICA.

    CRÍTICA AO CINEMA CLÁSSICO ESTÁ POSTULADA PELOS TEÓRICOS DA MONTAGEM (EISENSTEIN) E PELA CRÍTICA FRANCESA (ANDRÉ BAZIN).

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  • 8/20/2019 Aula Ismail Xavier

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    EISENSTEIN X BAZIN

    EISENSTEIN: ENCONTRO ENTRE CÂMERA E OBJETO NÃO É  A QUESTÃO CENTRAL; MONTAGEM COMO EXPOSIÇÃO DE IDÉIAS; NÃO SE TRATA DA CONSTRUÇÃO DE UM OLHAR; IMAGEM-SIGNO.

     BAZIN: IMAGEM COMO PRODUTO DE UM OLHAR; DEFESA  DA CONTINUIDADE; CONTRA A MANIPULAÇÃO DA MONTAGEM; CONTINUIDADE É PRODUTORA DE  AMBIGÜIDADES; DEFESA DO PLANO-SEQÜÊNCIA; IMAGEM-

     ACONTECIMENTO. HÁ, EM AMBOS, A ATRIBUIÇÃO DE UM PODER DE VERDADE E DE UM PODER DE MENTIRA ENCARNADOS EM  DETERMINADOS ESTILOS.

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  • 8/20/2019 Aula Ismail Xavier

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     JEAN-LOUIS BAUDRY

    CONTRA A IDÉIA DE QUE HÁ UM ESTILO MAIS VERDADEIRO OU MAIS MENTIROSO DO QUE OUTRO.

     A REVELAÇÃO DA VERDADE NÃO É O DESTINO FUNDAMENTAL DO CINEMA;

     A SIMULAÇÃO, A PRODUÇÃO DE EFEITOS ILUSÓRIOS DE CONHECIMENTO, É O DESTINO MAIOR DO CINEMA;

    O QUE DEVE SER QUESTIONADO É O FUNDAMENTO DA OBJETIVIDADE COMO TÉCNICA.

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     JEAN-LOUIS BAUDRY

     A TÉCNICA NÃO É NEUTRA: É A TÉCNICA MESMO QUE IMPELE O CINEMA INDUSTRIAL A DESENVOLVER SEU ILUSIONISMO;

     A QUESTÃO PROBLEMÁTICA NÃO É A IMITAÇÃO DO REAL NA TELA, MAS A SIMULAÇÃO DE UM CERTO SUJEITO DO OLHAR.

     A QUESTÃO NÃO É ANALISAR AS IMAGENS QUE O CINEMA OFERECE, MAS SUA FORMA DE MEDIAÇÃO QUE INTERVÊM ENTRE O OLHO E O ACONTECIMENTO.

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  • 8/20/2019 Aula Ismail Xavier

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     JEAN-LOUIS BAUDRY

    ESPECTADOR É COLOCADO COMO SUJEITO DA PERCEPÇÃO TOTAL, CAPAZ DE DOAR SENTIDO ÀS COISAS;

     PARA ISSO, ELE DEVE SER COLOCADO NO LUGAR DO  APARATO, ESTAR CONFUNDIDO COM O OLHAR DO  APARATO;

    O QUE É PRÓPRIO DO CINEMA É ESSE EFEITO-SUJEITO,  ATRAVÉS DO QUAL O APARATO COLOCA O ESPECTADOR

    NO CENTRO DE UM CONHECIMENTO.

    NENHUM LINGUAGEM É MAIS “VERDADEIRA”, POIS A “IDEOLOGIA” ESTÁ NA TÉCNICA.

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